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MINIMALISMO E SUSTENTABILIDADE

por André Luis Alvares, do @euminimo

Inicio este texto no século XXI, uma era marcada pelas mais finas tecnologias, alinhadas com a velocidade incrível com que a informação circula. Em contrapartida, observamos uma constante desordem, causada pelo homem, na natureza:  hectares e hectares dando falta de cor aos diversos pulmões verdes do mundo. Nesse cenário, o brasileiro assiste de perto ao avanço das serras elétricas na floresta amazônica – a ganância cegou os olhos de muitos e encheu com lágrimas os de outros. 

Além disso, observamos a busca pelo consumo desenfreado: bens materiais já estão entre os primeiros desejos das pessoas. Entretanto, surgiu uma vertente que vai em direção oposta a tudo isso, simplesmente “reverberando”. Como assim, reverberando? Bom, trata-se de uma linha de pensamento na qual você reproduz e vive aquilo que você realmente, em essência, é. Melhor definindo, seria a busca do real sentido da vida e do controle decorrente do autoconhecimento.  

Ficou curioso, né? Essa maravilha chama-se Minimalismo. Antes de falar sobre ele gostaria de citar sua origem, na década de 1960. 

Naqueles tempos, músicos, pintores, artesãos ─ artistas em geral ─ resolveram mudar a forma de expressar suas crenças e criações. Reuniram a complexa arquitetura cultural em linhas e métricas mais simplistas. Trouxeram, ao público, o valor do elementar: a mesma trajetória, porém, em passos simplificados. 

Mas qual seria a mensagem de tudo isso? Aonde esse movimento queria chegar? A resposta estava por trás dos toques únicos de cada talento: não precisamos de muito, apenas do necessário.  Quero quebrar, antes de tudo, um dos maiores estigmas do tema. Não podemos pensar apenas em consumo quando tratamos de Minimalismo, meu amigo. Eu, você e todos merecem mais. Sim, sim! Isso mesmo, merecemos muito mais que apenas tratar de consumo. 

A oportunidade de nos aproximarmos de nossos reais valores, sem um freio imposto por outras mentes, ou até mesmo pela sociedade, reflete na verdadeira tomada de decisão. Para compreender isso, quero que você imagine um mundo no qual as pessoas têm ações mais coerentes, gerando impactos extremamente mais sutis. Essa constância, somada ao longo dos anos, traz o que todos querem: equilíbrio e felicidade.  

Mundo fictício? Talvez, para quem é um minimalista único e verdadeiro, não. Único, pois cada um tem sua forma singular de lidar com o mundo, e verdadeiro, porque se blindou dos estigmas e influências externas para vivenciar o que ele realmente acredita e molda mentalmente.  

Agora, sim, estamos falando da mais pura linhagem do Minimalismo. Nascida na época em que a capital do Brasil deixou de ser em terras cariocas e os Beatles estavam lançando seu primeiro álbum: Please, Please, Me.

Quase seis décadas depois, podemos sentar e ler sobre o assunto com outra perspectiva – como se a gente chegasse ao final da trilha e pudesse observar, de um ângulo diferente, a tal bonita recompensa.  

Pensando desse modo, não fica mais difícil imaginar que podemos aplicar o Minimalismo em diversas áreas do nosso dia a dia. Começando por relacionamentos e finanças, e chegando até a religião e expectativas. Portanto, quando realmente nos tornamos “únicos e verdadeiros”, estamos vivenciando um estilo de vida – uma parte de nós.  

Então, quando tocamos no assunto sustentabilidade, o Minimalismo está praticamente de mãos dadas com ele. Para entender essa amizade tão forte, quero desconstruir essa ideia antes para, em cima disso, criar um conceito, digamos, curioso. Então, vem entendê-la e, junto comigo, formular essa nova teoria.

Com a sabedoria interior e o real entendimento do autoconhecimento alinhados com o discernimento das nossas reais necessidades, o mundo passa a se tornar mais sustentável – e não estou me referindo ao planeta Terra. Então, que tal de mundo é esse?
A resposta é mais fácil do que parece – nós mesmos. 
Acredito que a sustentabilidade tem início dentro de casa. O tempo e o cotidiano fazem um exemplar

papel de professor, pois apresentam, dia 

após dia, situações para que possamos nos observar, entender ou até mesmo nos contradizer. Assim, pequenas percepções tiradas desses momentos transformam-se em ações, as quais, associadas ao longo prazo, vão moldando um mundo melhor.

E como entender este nosso mundo atual? Quais as métricas que podemos usar para dizer o que é certo ou errado? Cientistas podem mostrar se uma determinada atitude não é sustentável – e, na maioria das vezes, eles acertam. Agora, e se existisse um modelo que não usasse as pesquisas mais avançadas para construir projetos sustentáveis, em prol do bem da comunidade mundial? 

Se pensou em Minimalismo, você conseguiu me entender e captou a verdadeira valia da mensagem. E, como já falamos do Minimalismo e da sustentabilidade, com uma percepção um pouco diferenciada, agora estabeleceremos o real elo entre os dois.

Quando alguém realmente adota esse estilo de vida, o que está acontecendo é a retirada do desnecessário da sua lista – seja de compra ou de amigos. Não existe o desvio da atenção, energia e tempo para o que não agrega valor à sua vida. Portanto, absorva essa informação, pois agora vamos juntar os pontos. 

A partir do momento em que a sociedade passa a consumir o necessário, a sustentabilidade não mais precisa ser defendida com unhas e dentes, ela acontece naturalmente. A mãe natureza sempre entregou seus recursos de acordo com as necessidades de cada continente e de suas respectivas tribos ─ o essencial esteve ali o tempo todo. 

Pensemos: o que tem gerado o absurdo ecológico que observamos todos os dias nos noticiários?

Diversos fatores podem contribuir para o problema: poder, ganância, expansão ou até mesmo conflitos de interesses. Porém, isso é apenas a ponta do iceberg.  

Embaixo dessa superfície de águas geladas está escondida a tal dificuldade das pessoas em identificar o que é crucial, vital, ou mesmo o tal do “necessário”. Será que existe uma constante indagação do real propósito de cada um? Seria sustentável ter uma vida influenciada por mente de outros, ou até guiada pela própria sociedade? 

Viver em um mundo com atitudes que fogem do autoconhecimento, da adequada visão dos nossos objetivos e desejos, e das ferramentas certas para chegar lá, compromete covardemente as gerações vindouras – não pensar no próximo é um pisão no pé da sustentabilidade. 

 

Por fim, o assunto vem ganhando, com muita razão, valor e destaque – precisamos tomar atitudes que protejam as atuais e futuras gerações. O começo da mudança vem de cada um, da compreensão dos nossos reais valores e da capacidade de transformá-los em ações positivas. Ao somarmos inúmeras ações benéficas, criamos a mais complexa arquitetura que molda o equilíbrio do planeta – seja no âmbito ecológico ou social.  

E não esqueça: há uma página aberta para ser escrita todos os dias, só precisamos escrever o necessário – como minimalistas únicos. 

André Luis é médico, mora no Rio de Janeiro,
estuda e vive o minimalismo há oito anos.
Gosta de disseminar seus valores
e de interagir com as pessoas
buscando uma vida sem excessos.

Instagram: @eu.minimo

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