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  • Julia Berlin

A história do começo

Aqui vai uma sequência resumida dos fatos dessa história, para quem gostar de sequências resumidas de fatos: em 2017 nasceu minha consciência da extensão da crise ambiental ao redor do globo, em 2018 tive uma ideia para contribuir com a preservação do meio ambiente e em 2019 comecei a empreender. O fim não posso contar, mas o meio talvez capture a atenção de alguns.

Esta linha do tempo, assim resumida, pode parecer rápida para alguns e demorada para outros. Pessoalmente, só posso dizer que meus projetos têm se desenrolado com senso de urgência, por um lado e, pelo outro, cautela de quem explora novos campos da vida e do mercado. Assim, sem mais delongas, conto a história dessa tal ideia, que chamei de re.pote, para diminuir o lixo nos deliveries de comida. A inovação, neste caso, não vem de uma nova tecnologia ou descoberta científica. A novidade é pensar diferente sobre hábitos cotidianos. Em 2017, no fim do curso de Engenharia de Produção, comecei, de forma independente, a procurar por mais informações a respeito da crise ambiental mundial. Logo depois mudei-me para São Paulo, capital, para trabalhar numa empresa do setor elétrico. A proposta do re.pote surgiu quando, já nesta novas rotina, eu me via sem tempo de cozinhar todos os dias e, portanto, tentada a pedir refeições pelos aplicativos de delivery.

O problema, contudo, era ver todo aquele lixo gerado em cada refeição e, pior ainda, lixo muitas vezes nem reciclável (no caso de embalagens de isopor ou papel plastificado). Algumas vezes eu ia até restaurantes perto de casa com meu potinho (desses que a gente pega da mãe e leva bronca quando não devolve) para levar a comida para minha casa. A repetição do ato me fez pensar que bom seria se o pote já estivesse lá no restaurante. Pensei, inclusive, em eleger meus lugares favoritos e deixar alguns recipientes lá com eles, depois avisar na hora do pedido para que colocassem naquele pote. Isso resolveria meu problema de uma maneira simples, apenas mudando a abordagem tradicional dessa atividade.

Repensar, este foi o primeiro passo. Contudo, logo atentei para a real natureza dessa solução, que não passava de uma pílula para minha própria consciência. Com isso, não busco dizer que nossas mudanças de hábitos individuais não são importantes. Muito pelo contrário, sempre defendi que fazer nossa parte é nosso superpoder (não sei se o único, mas acho que o maior deles). O que quero dizer é que as soluções têm que ser escaláveis, têm que poder "viralizar" para fazer uma diferença real no mundo, ou ao menos na comunidade em questão.

E esta proposta de deixar os potinhos no restaurante com antecedência, especialmente em uma cidade grande, não seria adotada por muitos outros.

Lembrei-me então, de uma máxima que diz: problemas institucionais exigem medidas institucionais. Seria necessário tratar das macro tendências, do crescimento dos serviços de delivery em todo o país, da falta de soluções em escala. Então, veio o segundo passo: entender a realidade de consumidores e restaurantes para, finalmente, propor uma solução maior e mais abrangente.

Assim surgiu a proposta do re.pote como é hoje: fornecer embalagens reutilizáveis e retornáveis para restaurantes, de modo que eles possam oferecer aos seus clientes ao menor custo possível. Esta última parte veio de outra máxima na qual acredito: não é sustentável se for elitista. Decidida a ideia, ouso dizer que o terceiro passo foi o mais difícil de começar. Ironicamente, o terceiro passo foi "começar". Largar um emprego estável, num desses prédios brilhantes, para apostar numa ideia pequena, inserida num mundo de gigantes (indústrias alimentícia e de utilidades domésticas).

Neste aspecto, posso dizer que houve influência do curso e, sobretudo, os colegas do Youth Climate Leaders exerceram sobre o desenrolar do projeto. A rede do YCL serviu primeiro para situar minhas expectativas no contexto do ativismo e empreendedorismo ambiental no Brasil e, depois, também foi importante para tecer críticas e sugestões ao modelo de negócio. Por fim, mas não menos importante, tudo isso foi essencial para me dar coragem a necessária para dar o primeiro passo.

Gostaria de poder dar spoilers sobre o desfecho deste empreendimento, mas por ora seguimos "começando". Começando a traçar a excursão industrial para produzir os re.potes, começando a apresentar esta solução para o público e começando as muitas parcerias necessárias para se fazer um negócio pelo planeta. Sem parcerias e trabalhos em grupo não haveria projeto.

Desta forma, apesar de até este momento não haver mais sócios nessa empreitada, eu insisto em usar a primeira pessoa do plural, nós, na conjugação de todas as ações do re.pote. Aliás, mesmo que todo trabalho em equipe culmine em uma solução bacana para o lixo nos deliveries de comida, de nada vai adiantar se ela não for usada.

Então, se eu precisar escolher uma palavra para descrever este negócio, escolho chamá-lo de ferramenta. É uma saída, que não existia antes, para aqueles que precisam conciliar o cotidiano ocupado com a vontade de diminuir os impactos ambientais de suas ações.

É uma só ferramenta, que se usada por um grupo de pessoas, pode beneficiar um número maior ainda de indivíduos, por gerar menos lixo na cidade em questão. E mesmo que tudo isso aconteça, não será o suficiente, se não passarmos todas as nossas ações cotidianas por este processo de repensar.

A caminhada rumo a um mundo sustentável de fato exige que revoluções sejam feitas e revoluções não são fáceis. A proposta do re.pote é ser um dos facilitadores para que mais pessoas se disponham a promover as mudanças necessárias. Assim, para chegarmos ao mercado (aos restaurantes, às casas) em um futuro não tão distante, começando com a cidade de São Paulo, é preciso engajar e conectar essas pessoas dispostas a repensar também os próprios hábitos, pois as revoluções são, sobretudo, coletivas. O futuro é coletivo. E você, vem com a gente?

Nossa campanha de financiamento coletivo será lançada em novembro de 2019 e sua contribuição é essencial pra gente construir essa realidade!

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Os projetos que podem ser reais!


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