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TURISMO E SUSTENTABILIDADE

por Mari Dutra, do @quasenomade

Mais de 1,2 bilhão de pessoas cruzam as fronteiras de seus países a cada ano. A atividade turística, seja ela exercida por motivo de lazer ou trabalho, é hoje responsável por uma das indústrias que mais cresce, movimentando quase US$ 9 trilhões na economia mundial (dados de 2018)¹.

Estima-se que a atividade represente 8% do PIB do Brasil. Essa também é a fatia de responsabilidade do setor quando se fala em emissões de gases do efeito estufa, segundo um estudo divulgado pela Universidade de Sydney, na Austrália. A pesquisa australiana não leva em consideração apenas os deslocamentos, mas inclui também a pegada de carbono associada a outras atividades ligadas ao turismo, como alimentação, infraestrutura e serviços de varejo usados pelos viajantes.

Em ilhas cujo turismo é uma das atividades principais, esse setor pode responder por 30% a 50% de todas as emissões de gases do efeito estufa. É o caso das Maldivas, Chipre, Seychelles e Ilhas Maurício, por exemplo.²

Se o turismo é responsável por um a cada dez empregos gerados no mundo, ele também precisa ser um foco importante quando falamos sobre sustentabilidade. Tanto é que a Organização das Nações Unidas proclamou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, colocando o assunto em evidência e estimulando a reflexão sobre nossas práticas enquanto viajantes.

Mas sobre o que estamos falando quando falamos sobre turismo sustentável? Esse conceito se baseia em três pilares fundamentais que não funcionam isoladamente, mas em conjunto:

● Preservação ambiental

● Justiça social

● Desenvolvimento econômico

Esse conceito deriva da ideia de Desenvolvimento Sustentável introduzida pelo Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) e publicado em 1987.

A Organização Mundial do Turismo (OMT) leva o assunto mais longe e define o que poderíamos considerar como turismo sustentável. Ele é o “turismo que considera plenamente seus atuais e futuros impactos econômicos, sociais e ambientais, abordando as necessidades dos visitantes, da indústria, do meio ambiente e das comunidades locais”

Há algo em comum nestes dois conceitos: eles nos lembram que não existe turismo sustentável sem conexão
e esse é um ponto chave a se considerar no processo de tornar-se um turista mais consciente. 

 

Existe um só turismo sustentável?

A teoria parece mais complexa do que a prática. Ser um turista sustentável não envolve sacrifícios. Pelo contrário, adotar atitudes mais responsáveis pode se tornar uma maneira de aproveitar ainda mais a 

viagem, gerando conexões autênticas com as cidades ou comunidades visitadas e contribuindo para que outras pessoas possam fazer o mesmo no futuro. Turismo sustentável não é sobre tomar um suco de frutas orgânicas com seu canudo de inox na piscina de um hotel certificado. Arrisco dizer, inclusive, que isso é o oposto da sustentabilidade, porque começa partindo de uma perspectiva elitista do que é o turismo.

Turismo envolve basicamente um deslocamento temporário para um lugar ao qual não estamos habituados. Pode ser uma ida à praia, visitar os parentes no interior ou dar a volta ao mundo em um ano sabático. Todos fazem parte de um conjunto de atividades turísticas e falar sobre sustentabilidade no setor deve abarcar essas diferentes modalidades.

Por isso, só há uma maneira de começar a pensar na diminuição do impacto gerado por nossas viagens: através do transporte.

Coincidentemente, essa costuma ser também a primeira atividade planejada em um roteiro, visto que não existe viagem sem deslocamento. Além disso, o setor de transportes é o que mais causa impactos na qualidade do ar, o que faz com que a escolha do transporte certo seja fundamental para diminuir o impacto de uma viagem.

Dar preferência a deslocamentos terrestres sempre que possível é essencial para reduzirmos nossas emissões de gases do efeito estufa, associados ao aquecimento global.

Destes gases, o dióxido de carbono (ou CO2) é o mais conhecido e um dos principais contribuintes para as mudanças climáticas. Embora ele também seja gerado de forma naturais, a queima de combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel, é uma das responsáveis por suas emissões exageradas na atmosfera.

Portanto, trocar o avião pelo ônibus em um trajeto de curta distância é um bom começo para se pensar em um turismo sustentável. Ao considerar apenas as emissões de CO2 em uma viagem de ponte aérea entre o Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, uma pessoa seria responsável pela emissão de 100 kg de CO2 na atmosfera - valor por passageiro, calculado pela ICAO (International Civil Aviation Organization). Trocando o transporte aéreo pelo ônibus, as emissões poderiam ser reduzidas para menos de 100g, caso o veículo viajasse com todos os assentos ocupados.

Em alguns casos, voar será a única saída. Nesse caso, há companhias que permitem realizar a compensação das emissões de carbono geradas pelo trajeto no momento da compra da passagem, pagando um valor extra por isso.

Cruzeiros são meios de transporte que deveriam ser descartados porque não apenas geram mais CO2 do que qualquer outro veículo, como também não contribuem para o desenvolvimento econômico de um destino, visto que a maior parte do dinheiro é gasto a

bordo e não nos momentos de desembarque. Isso inclui gastos com alimentação, acomodação e passeios, estes últimos geralmente reservados ainda no mar.

Atitudes em relação a estas três questões que permeiam as viagens são também pontos importantes para pensar em um turismo mais sustentável. Nesse sentido, é indicado trocar os restaurantes turísticos pela comida feita no bairro, que não está listada em nenhum guia de viagem. Frequentar feiras de alimentos artesanais ou vendidos pelos próprios produtores é também uma maneira de 
conhecer mais da gastronomia local e contribuir para o desenvolvimento social e econômico das comunidades visitadas.

 

Ao escolher um hotel, pode-se aplicar a mesma lógica. Acomodações locais, geridas por famílias locais, são sempre uma alternativa econômica e costumam ser mais sustentáveis. Entretanto, hotéis certificados podem ser uma opção interessante para quem busca uma experiência de viagem com mais conforto. Dessa forma, garante-se todas as comodidades de uma hospedagem 4 ou 5 estrelas, ao mesmo tempo em que os impactos socioambientais são minimizados.

Além da escolha de uma hospedagem ética, os hóspedes são parte fundamental do processo de redução deste impacto. Segundo a American Hotel & Lodging Association, um hotel de 300 quartos pode gerar 300 toneladas de lixo por dia, sendo que apenas 60% deste é reciclável. Portanto, é imprescindível buscar atitudes mais conscientes durante uma estadia. Entre elas está a de evitar os produtos de higiene oferecidos pela acomodação geralmente em pequenas embalagens descartáveis, não trocar as toalhas diariamente, priorizar alimentos livres de embalagens na hora do café da manhã e, finalmente, usar com

moderação recursos como água e energia elétrica.

bordo e não nos momentos de desembarque. Isso inclui gastos com alimentação, acomodação e passeios, estes últimos geralmente reservados ainda no mar.

Atitudes em relação a estas três questões que permeiam as viagens são também pontos importantes para pensar em um turismo mais sustentável. Nesse sentido, é indicado trocar os restaurantes turísticos pela comida feita no bairro, que não está listada em nenhum guia de viagem. Frequentar feiras de alimentos artesanais ou vendidos pelos próprios produtores é também uma maneira de 
conhecer mais da gastronomia local e contribuir para o desenvolvimento social e econômico das comunidades visitadas.

 

Quanto à escolha de passeios nos destinos, esta deve priorizar o respeito à comunidade e ao meio ambiente. Evitar atrações com animais é um primeiro passo, mas entender as regras de cada local é essencial. Em geral, passeios que priorizam o exótico de cada população, no estilo “zoológico humano”, tendem a ser uma verdadeira armadilha: eles atraem turistas em busca de experiências autênticas, mas podem esconder uma realidade de opressão. Isso ocorre, por exemplo, com as mulheres-girafa da Tailândia, que são exploradas pelo turismo e não têm liberdade de sair de áreas demarcadas pelo governo.

Por último, pense no turismo como um reflexo da sua vida como um todo. Todas essas ações contam, mas elas estão longe de ser a única forma de contribuir para um turismo mais responsável. Como em tudo na vida, é importante refletir sobre a própria realidade antes de adotar qualquer mudança e entender que é natural errar no caminho, mas, se nunca começar, você nunca acertará.

Mari é quase nômade, mas atualmente vive em Girona, na Catalunha. Compartilha experiências e dicas de viagem com menos impactos ambientais, com a participação especial da doguinha Mia.

Instagram: @quasenomade

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